domingo, 31 de março de 2013
A primeira pista que Vladimir Offshorev teve de que aquilo ia dar merda foi o nome do governador do banco central de Chipre...
Público: «Cortes nos depósitos em Chipre podem chegar aos 60%»
(E abster-me-ei de comentar o nome do ministro das Finanças cipriota...)
Ainda a procissão vai no adro
A caminho dos dois anos de governação, Passos Coelho pode orgulhar-se de uma coisa com crescimento sustentável em Portugal: o desemprego.
Segundo algumas previsões (Jornal de Negócios, 25 de Março), o desemprego em 2013 rondará os 19%. Tenhamos, pois, esperança! Sabendo-o homem persistente e de convicções, estou certo que o nosso primeiro tudo fará para que esta tendência se mantenha.
sábado, 30 de março de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
Tropa
De resto, toda a veleidade castrense que pudesse ter tido quando cheguei a Elvas se esgotara no momento em que, na primeira ronda nocturna enquanto sargento de dia, me deparei com um algarvio em alvos calções e alva camisola de alças a dormitar no seu posto, encostado à G3. Eu tinha acabado de chegar de Mafra, devidamente formatado, e senti um ligeiro escândalo com aquilo. Na Escola Prática de Infantaria — EPI, mais conhecida como “Entrada Para o Inferno” ou “O Calhau”, atendendo a toda a quantidade de pedra que ali se juntou por ordem de D. João V — tínhamos sido ensinados que jamais se pegava numa arma quando em trajes de ginástica (ou de ballet, na delicada gíria militar), pelo que antes de me interrogar por que estava uma sentinela vestida daquela maneira pensei em admoestar o soldado por ter trazido a G3. Na minha hierárquica concepção da etiqueta militar, a combinação dos adereços parecia-me mais importante do que a adequação do traje.
O militar, com sonolência de veterano, ofereceu-me uma passa do seu charro e explicou-me duas coisas, ali no jardim sob o luar e as janelas da messe de oficiais: o calor alentejano não contemporizava com o código de vestuário do Exército e um pescador como ele não estava propriamente desesperado para regressar à faina, aguentava bem os meses extra que, como paga da sua conduta, lhe quisessem oferecer na paz suave das muralhas de Elvas, assegurada que estivesse a comida, a cama lavada e, claro, o comércio com Badajoz.
Na tropa aprendia-se com os mais velhos e, se não passei a fazer as minhas rondas em calção, chinelo e Walter à cinta, foi porque descobri que aquelas horas de serviço se passavam melhor a dormitar no imponente cadeirão de alto espaldar e couro, quase um trono, que havia na casa da guarda. Por outro lado, se não aprendi a apreciar as prorrogações do serviço militar tal como ele se desenrolava em Elvas foi porque era jovem e estúpido e achava que a vida tinha muito mais para me oferecer.
Fim da linhagem
Vila Real, Novembro de 2008
quarta-feira, 27 de março de 2013
Ó mãe, o intelectual é mau!
«Há uns ditos intelectuais que acham que só eles é que sabem o que é bom.»Esta frase de Tony Carreira (mas podia ser de tantos outros, cançonetistas e escritores de sucesso), publicada no sempre prestimoso JN, revela como lá no fundinho a personagem sente mágoa por não ter a admiração dos intelectuais. Um Pavilhão Atlântico cheio de povo ou uma tiragem à Dan Brown podem confortar a alma e alimentar a megalomania, mas não compensam o desprezo dos intelectuais.
É uma conhecida técnica infantil odiar o que não se compreende ou o que não nos satisfaz os caprichos. A criança que se magoa numa esquina, por natureza estática, inerme e sem intenções, reage batendo na esquina e declarando que não gosta da esquina, a esquina é má.
Por vezes, é também um tique de déspota acossado: desejar matar o portador das más notícias, como se isso afastasse as más notícias, as tornasse falsas.
Deve ainda ter-se em conta que o ódio aos intelectuais é a forma que alguns best-sellers encontram para moldar a sua arte ou, mais vulgarmente, para desculpar a sua incapacidade de a tornar melhor.
Ao determinarem que «se inúmeros gostam é bom», estão a autoconvencerem-se que o que fazem é bom. Atribuem à massa que os ama a condição de árbitro da beleza, como Nero fazia a Petrónio enquanto este o bajulava (pronto para o mandar decapitar se fizesse o contrário).
E ao desclassificarem os intelectuais, apondo-lhes aspas ou o prefixo “pseudo” (que usam como insulto), ao dizerem que se os intelectuais não gostam é porque não alcançam a simplicidade da beleza, estão a traçar um caminho que os afasta irremediavelmente da possibilidade de melhorarem o seu próprio trabalho, impõem-se uma bitola superior que juram não ultrapassar.
É verdade que na maioria dos casos não teriam meios para a ultrapassar — e o ódio aos intelectuais é então também a mão com que afagam o rosto, a mão que os conforta na sua impotência. «Ó mãe, o intelectual é mau! Bate no intelectual!»
terça-feira, 26 de março de 2013
Eterno retorno
Pesquisando num dos meus antigos blogues (decesso desde outubro de 2009), encontro um comentário à seguinte notícia do Público de 11/04/2009, meses depois do início da crise financeira em que ainda andamos naufragados:
Pela primeira vez na história, Brasil passa a credor do FMI
“Chique”, “histórico”, “soberano”. Não faltaram adjectivos ao Presidente brasileiro, Lula da Silva, para classificar o empréstimo que o país vai conceder ao Fundo Monetário Internacional (FMI). [...] “Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?”, perguntou a um dos jornalistas presentes na conferência de imprensa. “Eu passei parte da minha juventude a carregar faixas contra o FMI no centro de São Paulo e, agora, serei o primeiro Presidente deste país a emprestar dinheiro à mesma estrutura a quem já devemos muito dinheiro”, enfatizou.
No final desta semana, o Governo brasileiro anunciou que vai disponibilizar 3,4 mil milhões de euros ao FMI, com o objectivo de ajudar países emergentes que enfrentam dificuldades de crédito devido à crise internacional. “Agora estamos a entrar no clube de credores do FMI”, frisou o ministro das Fazenda (Finanças), Guido Mantega.
[...]
Brasil viveu “humilhação”
Depois de décadas a receber visitas de representantes do FMI, o Brasil saldou as dívidas com a estrutura em finais de 2005 [...]. Até essa altura, sublinhou Lula da Silva antes de seguir para a cimeira do G20 em Londres, o país viveu um “inferno”, uma “humilhação”.
“A gente via descendo do avião, no aeroporto, mulheres e homens do FMI dando palpites sobre o que tínhamos de fazer. Aquilo era uma humilhação. Diziam que tínhamos de fazer ajuste fiscal, contenção de gastos... era um inferno”, afirmou.
[...] “Antes da actual crise financeira global, disse o Presidente, o FMI vivia dando palpites sobre as economias do Brasil e de outros países da América do Sul”, assegurou.
Comentava então eu, num post intitulado «Passei metade da vida a lutar contra os “Maus”. Agora sou um dos “Maus”, e sabem que mais? Até que não é mau...» :
Curioso: agora que está no “Clube dos Ricos”, Lula da Silva não explicou se:
- Estava errado quando lutava contra o FMI;
- O FMI tinha razão quando pedia o saneamento das contas brasileiras, e isso ajudou a chegar onde estão hoje;
- A postura do FMI era mesmo errada e ele, agora que tem voto na matéria, vai lutar por um “FMI de rosto humano”;
- Qual quê! Agora que é credor, vai levar aos outros a «humilhação» que o Brasil sofreu antes, dando-lhes palpites a toda a hora...
O cenário dos homens que descem de aviões com palpites indesejados soa-me bastante familiar, pelo que me inclino para a hipótese de que o FMI pós-contributo brasileiro se regula mais pelo princípio expresso na minha quarta alternativa.
Ou talvez eu esteja a ser injusto. Talvez o Brasil, seguindo a promessa do governo de Lula da Silva, tenha dado o tal “rosto humano” ao FMI — mas apenas, como referia a notícia, relativamente a «países emergentes».
Países imergentes, como Portugal, levam a velha receita.
segunda-feira, 25 de março de 2013
(Não) dar a mão à palmatória
(Vítor Gaspar, um caso psicológico — 3)
Leio esta passagem no livro de Daniel Kahneman (p. 289):
Tetlock [psicólogo da Universidade de Pensilvânia] descobriu também que os especialistas resistiam a admitir que tinham errado [nas suas previsões] e, quando eram obrigados a admitir o erro, tinham um largo conjunto de desculpas: apenas haviam errado acerca do momento, tinha surgido um acontecimento imprevisto, ou haviam errado mas pelas razões corretas. [...]
e vem-me à lembrança esta notícia do Público:
Questionado por um jornalista sobre se reconhecia algum erro na forma como o Governo e a troika definiram a estratégia de ajustamento para Portugal e a passaram à prática, Vítor Gaspar não foi capaz de identificar um. [...] Mas se há coisa que é difícil ao olhar para os resultados da sétima avaliação da troika a Portugal, apresentados na sexta-feira [dia 15], é deixar de ver erros, erros de previsão.
[...]
Vítor Gaspar voltou a justificar a deterioração da conjuntura exclusivamente com a redução verificada a partir do final do ano passado na procura externa. [...]
(OK, no caso de Vítor Gaspar, a imaginação só chega para uma desculpa. Mas é-lhe suficiente para dizer que a culpa está toda alhures.)
sábado, 23 de março de 2013
A ilusão de perícia de Vítor Gaspar
(Vítor Gaspar, um caso psicológico — 2)
Há semanas, enquanto almoçava com colegas e comentávamos a política e o estado da economia nacionais, alguém defendeu Vítor Gaspar com o argumento de que ele teria «provas dadas» na área económica, tanto em termos académicos como no “mundo real” da finança empresarial.
Na altura questionei o valor de tais supostas provas, alegando que, pelo menos no caso do meio académico, em áreas “científicas” longe das ciências exactas, a avaliação do mérito é frequentemente inválida, por ideológica: mais vezes do que seria desejável, o avaliador mede, não o valor do trabalho e a validade e verificabilidade das ideias do avaliado, mas o grau de concordância entre as ideias de um e de outro: quem discorda do avaliador não avança na carreira académica; quem lhe diz amém, floresce de viço... (António Borges deu-nos recentemente um exemplo dessa mentalidade.)
Quanto à validade das «provas dadas» no sector privado, uma ideia mais clara da sua questionabilidade surgiria dias depois.
No livro a que já me referi antes, Daniel Kahneman dá um exemplo esclarecedor acerca da mentalidade existente no mundo da alta finança. Em meados da década de oitenta ele e os seus colegas foram convidados por um gestor de topo de Wall Street para uma conversa sobre o papel do enviesamento (preconceitos, ideias feitas, etc.) nas decisões de investimento. Kahneman não percebia nada do ramo, pelo que não estava preparado para o que descobriu (então e desde então) sobre o funcionamento da “indústria financeira” (p. 280):
[...] uma indústria importantíssima parece assentar em grande parte numa ilusão de perícia. [...]
O autor refere, em suporte desta ideia, alguns estudos que demonstram que os supostos especialistas financeiros são tudo menos especialistas ou peritos (p. 282):
Apesar de os profissionais [dos bancos de investimento] serem capazes de extrair um considerável montante de riqueza aos amadores, poucos [...], se houver algum, têm a perícia necessária para vencer o mercado sistematicamente, ano após ano. Os investidores profissionais, incluindo os gestores de fundos, falham num teste básico de perícia: a concretização persistente. O diagnóstico para a existência de qualquer perícia é a consistência das diferenças individuais na concretização. [...]
O que os estudos mostram é que não existe tal consistência: um gestor de um fundo de investimento tem sucesso acima da média num ano, mas abaixo da média logo a seguir. A razão do sucesso, quando ele existe, é fundamentalmente a sorte, não a especial capacidade desse gestor para fazer boas decisões de investimento. No entanto, a ilusão da perícia no mundo financeiro grassa (p. 283):
Há alguns anos, tive uma invulgar oportunidade de examinar de perto a ilusão de perícia financeira. Fora convidado a falar perante um grupo de conselheiros financeiros numa empresa que fornecia aconselhamento financeiro e outros serviços a clientes muito ricos. Pedi alguns dados para preparar a minha apresentação e foi-me confiado um pequeno tesouro: um registo que sintetizava os resultados dos investimentos de cerca de 25 conselheiros financeiros anónimos, para cada um de oito anos consecutivos. A pontuação de cada conselheiro [em termos de sucesso dos seus conselhos de investimento] era o principal determinante para o seu prémio do final de cada ano. [...]
Kahneman calculou o coeficiente de correlação entre as pontuações de cada conselheiro em diferentes anos, em busca da alegada perícia que a empresa premiava anualmente (p. 284):
[...] estava preparado para encontrar uma fraca evidência de persistência de perícia. Mesmo assim, fiquei surpreendido ao verificar que a média das 28 correlações era 0,01. Por outras palavras, [na prática,] zero. As correlações consistentes que indicariam diferenças em termos de perícia não existiam em lado nenhum. Os resultados pareciam-se com aquilo que se esperaria de uma competição de lançamento de dados, não de um jogo de perícia.
Ninguém na empresa parecia estar consciente da natureza do jogo que os seus selecionadores de ações andavam a jogar. Os próprios conselheiros sentiam ser profissionais competentes a realizar um trabalho sério e os seus superiores concordavam. [...]
A nossa mensagem para os executivos foi a de que, pelo menos no que dizia respeito a construir portefólios, a empresa estava a premiar a sorte como se fosse perícia. Isto deveria constituir uma notícia chocante para eles, mas não. Não havia qualquer sinal de que não acreditassem em nós. [No entanto,] não tenho qualquer dúvida de que ambas as nossas descobertas e as suas implicações depressa foram varridas para debaixo do tapete e que a vida na empresa prosseguiu como até aí. A ilusão de perícia não é apenas uma aberração individual; está profundamente impregnada na cultura da indústria [financeira]. [...]
Como conclui Daniel Kahneman (p. 286), as supostas «provas dadas» na área financeira sofrem do facto de serem avaliadas segundo princípios enviesados, ignorando os factos:
[...] as ilusões de validade e perícia são apoiadas por uma poderosa cultura profissional. Sabemos que as pessoas conseguem manter uma fé inabalável em qualquer proposição, por muito absurda que seja, quando é defendida por uma comunidade de crentes que pensam de igual modo. [...]
O recurso a terminologia da área religiosa não é casual: como eu já disse antes, a política económica de Vítor Gaspar (cujos pergaminhos foram obtidos com a seriedade relatada atrás) e do seu governo é determinada por dogmas, por “artigos de fé” que não passam na análise racional dos factos — mas que mesmo assim, teimosamente, subsistem. Amém.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Passarões
Suponho que a cadeia de supermercados terá uma verba para cobrir este exercício de cidadania dos seus clientes. Do mesmo modo que tem uma verba para processar os tipos de casta inferior que por vezes roubam um euro ou dois de hortaliça.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Também tu?
Imaginemos agora por um momento que os quatro de Dublin não tinham as poupançazitas em offshores e se viam obrigados pela crise a fazer de novo boa música: talvez eu pudesse voltar a conspirar com eles para derrubar o governo. Nada era impossível para um proletário simplório durante os três minutos de uma música e os trinta e três centilitros de uma Super Bock.
Mantra
quarta-feira, 20 de março de 2013
A ilusão de validade das ideias de Vítor Gaspar
(Vítor Gaspar, um caso psicológico — 1)
Em Pensar, Depressa e Devagar, Daniel Kahneman, o psicólogo laureado com o Prémio Nobel da Economia a que me referi noutro post, descreve (pp. 278–279) a sua experiência como recém-licenciado no Exército de Israel, onde tinha como incumbência avaliar psicologicamente os recrutas com vista a decidir quais tinham o perfil de liderança que os tornava aptos para a escola de oficiais. Vítor Gaspar diria que os resultados de Kahneman e a sua equipa eram «um desapontamento»:
A evidência de que não conseguiríamos prever o sucesso [dos cadetes] com exatidão era esmagadora. [...] A história era sempre a mesma: a nossa capacidade de prever o desempenho na escola era negligenciável. As nossas previsões eram melhores do que apostas ao calhas, mas pouco melhores.
Ficávamos abatidos durante algum tempo, depois de recebermos as desencorajantes novidades [das notas realmente obtidas pelos candidatos após meses de formação para oficiais]. [...]
Mas o pior não era o baixo poder de previsão de Kahneman e dos seus colegas — era a sua inabalável persistência no erro:
[...] Mas era o exército. Úteis ou não, havia uma rotina a ser seguida e ordens para cumprir. [...] A frustrante verdade acerca da qualidade das nossas previsões não tinha qualquer efeito sobre a forma como avaliávamos candidatos [posteriores] e muito pouco efeito na confiança que sentíamos nos nossos juízos e previsões sobre os indivíduos.
O que acontecia era notável. A evidência global dos nossos fracassos prévios deveria ter abalado a nossa confiança nos nossos juízos sobre os candidatos, mas isso não aconteceu. Deveria ter-nos levado a moderar as nossas previsões, mas isso não aconteceu. Sabíamos, em termos gerais, que as nossas previsões eram pouco melhores do que palpites aleatórios, mas continuávamos a sentir e a agir como se cada uma das nossas previsões fosse válida. [...] cunhei um termo para a nossa experiência: a ilusão da validade.
Descobrira a minha primeira ilusão cognitiva.
Mutatis mutandis, temos o diagnóstico de Vítor Gaspar feito.
Banha-da-cobra
Se um amigo nos diz que há oportunidades na adversidade, está a tentar animar-nos. Mesmo que nos minta (e, estatisticamente, mente-nos), sabemos que a mentira é piedosa, bem-intencionada. Agradecemos-lhe e, havendo forças, assobiamos de bom grado com ele Always look at the bright side of life.
Se um tipo como Passos Coelho não se cansa de nos repetir esse mantra de cada vez que nos dá más notícias, não devemos cair na confusão de o tomar por amigo. Há outra espécie de pessoas que se esforça por revelar o lado bom das coisas, mesmo quando elas o não têm. Sobretudo quando elas o não têm. São os charlatães.
Nunca compre um carro em segunda mão a Passos Coelho — descobrirá que não tem motor, embora o chassis seja alemão.
Euro Visão: a cegueira ideológica
Ainda a propósito da cegueira ideológica dos governantes e decisores económicos (a que voltarei em breve):



![AXIOMA. s. m. Tumor no sovaco. [Wackypedia: contributos para um léxico alternativo]](http://4.bp.blogspot.com/-IiTFBpd0C-Y/UVA5AcpTjAI/AAAAAAAAByI/ISglaxygdn0/s1600/Sa%C3%BAde_Axioma_500.gif)

