sábado, 20 de abril de 2013
O eu em exercícios
sexta-feira, 19 de abril de 2013
«Tu não queres, pois não?»
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Do episódio à significação
Agora a cultura será efervescente
Filomena Cautela apresenta magazine cultural na RTP2
Afinal a RTP2 ainda pode acolher um magazine cultural. Esta é uma forma de ver as coisas. A outra é que a administração da RTP decidiu dar forma ao sonho de uma menina.
Filomena Cautela, parece que apresentadora e actriz, tinha o sonho de ser apresentadora de um “programa cultural”. Vai daí, apresentou a ideia à RTP e a estação achou-a tão necessária e inovadora (um programa cultural!, quem imaginaria?) que não viu como podia recusá-la, abraçou-a de imediato.
A ideia parte de boas intenções — mas não consegue parar por aí; como em todos os sonhos adolescentes, entra em delírios. Por exemplo: «Quero fazer com que as pessoas percebam que a cultura não é aborrecida e que o teatro é bom, muda mentalidades, sociedades». Até aqui todos de acordo, certo? (Mais ou menos, pronto.) Só que a frase está incompleta. A apresentadora também acha que o teatro (ou a cultura) «nos pode tirar da crise», mas, lamentavelmente, não explica se é através do clássico deus ex-machina ou de outro artifício cénico. Num segundo exemplo, revela-nos que «o mote do programa é falar de cultura e de arte de uma forma acessível, directa, estimulante». Poderíamos achar isto redutor mas aceitável — se ela não acrescentasse que também quer falar de cultura de uma forma «efervescente».
Ora, uma coisa que é a concretização de um sonho, que acredita no fim da crise pela arte e pretende falar de cultura de uma forma «efervescente» parece um discurso de Miss Portugal, não um programa para levar a sério.
Esta generosidade cheira a legado do ex-ministro Relvas. Mas agora que ele saiu não poderíamos ter de volta a Paula Moura Pinheiro ou outra pessoa que não ache que a cultura tem de ser descomplicada, traduzida para dialecto púbere e apresentada buliçosamente, com câmara irrequieta, como se fosse o Top+?
P.S. Desconfio, mas pode ser apenas mau-feitio, que mostrar que «a cultura não é aborrecida» e falar dela «de uma forma acessível, directa» implicará omitir o “aborrecido” e tudo aquilo que não seja acessível e directo segundo os padrões de um público “efervescente”.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Acta existencial
terça-feira, 16 de abril de 2013
Da impermanência ao nirvana
Ghostwriting
Depois de muitos anos a escrever para a gaveta a horas mortas, como o fantasma do bloco de apartamentos onde vivia, decidiu que chegara a altura de começar a ganhar algum dinheiro com o seu trabalho. Publicou um anúncio no jornal. Dizia: «Escritor inédito procura assinatura mediática para livro. Sigilo garantido.»
Na acepção de ghostwriting que a sua aversão a escrever os livros dos outros assim inaugurava, não eram as celebridades que procuravam competentes escritores-fantasma, mas escritores espectrais que procuravam nomes corpóreos aos olhos de editores e público. Os mercenários da escrita eram substituídos por mercenários da Parker ou da Montblanc dispostos a vender o seu autógrafo. Havia nisto um claro benefício para os leitores, afirmou desassombradamente alguma (rara) crítica.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Disposições
domingo, 14 de abril de 2013
É a ideia de uma Constituição, estúpido!
[...] Passos Coelho foi muito duro para o Tribunal Constitucional (TC), comparou-o a uma força de bloqueio [...].
O primeiro-ministro voltou a dramatizar a decisão do TC, dizendo que o acórdão condiciona a acção do Governo e as opções políticas. [...]
Ó Pedro (amigo, pai, cidadão), essa é precisamente a função de uma Constituição: impedir que qualquer bicho-careto, com até pouco menos do que 50% de apoio popular, altere as regras do regime a seu bel-prazer, levado pela espuma dos dias ou motivações mais indizíveis. Uma Constituição serve para fechar portas, para deixar claro que os decisores políticos não têm todas as opções, que há linhas que não se podem ultrapassar.
A ausência de entraves à acção governativa é prerrogativa dos regimes absolutistas, autocráticos, autoritários ou totalitários.
O acontecimento decisivo
sábado, 13 de abril de 2013
Se
Custos políticos
Não interessa, portanto, se a opção do Governo era mais justa ou não. Nem sequer interessa, afinal, se a opção do Governo era mais justa do que a interpretação do Tribunal Constitucional. E não interessa, claro, a dureza dos custos sociais face à soberana importância dos custos políticos. Interessa é que o Governo foi estúpido. Se tivesse sacrificado sem hesitação algumas dezenas de milhares em vez de ter prejudicado um pouco umas centenas de milhares teria circunscrito o descontentamento. Maquiavel não diria melhor. E agora Maquiavel está no Governo.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Sem surpresa
quinta-feira, 11 de abril de 2013
As virtudes da «visualização»
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Justiça
(E pronto, agora podemos voltar a vituperar o mau governo que nos calhou em sorte nestes dias de chumbo.)
«Ministério da Nuvem»
O mecânico
Como antes dele o gerente de uma churrasqueira e o escriturário de uma empresa, o mecânico, com apenas um pouco mais de vernáculo do que os grandes liberais dos blogues, declara que não se pode adiar mais, é preciso despedir funcionários públicos, essa corja. Não uma pequena quantidade para troika ver. Milhares, centenas de milhares. Talvez isso não resolva o problema do país de imediato, concede, mas resolve-o a médio prazo. Não diz se por milagre.
O mecânico não se lembra de que grande parte dos seus clientes são funcionários públicos e que o negócio pode afundar se os seus funcionários públicos deixarem de conduzir carros por muito tempo. Ou para sempre. O mecânico não se lembra de que funcionários públicos são os professores dos seus filhos, os médicos e os enfermeiros que mantêm a sua mãe viva e lhe permitem continuar a receber a reforma dela. São os tipos que lhe apanham à porta o lixo que ele deixa espalhar-se pelo passeio. E são aqueles gajos que conduzem a frota cuja manutenção lhe foi entregue por amigo bem colocado na câmara. O mecânico esquece-se, a bem dizer, de que o bem-estar e a economia do concelho estão por enquanto, para o mal e para o bem, dependentes do funcionalismo público. E, na sua precipitação, o mecânico esquece-se de que a própria esposa é funcionária pública (sem formação, desqualificada, na primeira linha dos despedimentos).
O mecânico não o sabe, não pensou a sério no assunto, mas fala dos funcionários públicos como de uma abstracção. Muito à anos vinte do século passado, fala dos funcionários públicos como de “os outros”, como de uma raça expiatória.
Ainda bem que, à escala nacional, o Governo e os seus liberalíssimos e cultíssimos bloggers não são deste aziago jaez.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Dead right
José Luis Sampedro (1917–2013):
Há dois tipos de economistas: os que trabalham para enriquecer os mais ricos e os que trabalham para empobrecer os pobres.

![SEMINÁRIO. s. m. Banco de esperma. [Wackypedia: contributos para um léxico alternativo]](http://3.bp.blogspot.com/-FXQWTkXhwx0/UWqJZ9ab-wI/AAAAAAAAB1M/ipE7wgACMUk/s1600/Sa%C3%BAde_Semin%C3%A1rio_500.gif)