terça-feira, 30 de abril de 2013
Rebuçados camonianos
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Aceitações
domingo, 28 de abril de 2013
Cartão e raposa, paradoxo e dissonância
O que é preciso é saudinha (6)
P.S. A propósito disto, no Público: «Receitas dos casinos vão ajudar a pagar tratamento de jogadores patológicos»
sábado, 27 de abril de 2013
Vigiar exames
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Pensar em nada
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Acerca da disciplina auto-imposta
Comemorações do 25 de Abril
Rádio Renascença: «Comemorações do 25 de Abril no Parlamento só com convite»
quarta-feira, 24 de abril de 2013
3. (Ainda o João Miguel Tavares)
No café: o “Big Brother”
As duas* falácias de João Miguel Tavares
O “argumento” de João Miguel Tavares em defesa da dupla Reinhart & Rogoff — admitindo que se trata mesmo de uma tentativa de argumento e não a mera exploração de um nicho de mercado editorial (há que mungir a teta do pluralismo) — enferma de dois erros, duas falácias.
A primeira falácia é a do apelo à autoridade (a que já se referiu o Rui), uma das mais divulgadas formas de fugir ao assunto. Não podendo negar o erro fundamental no artigo que tão convenientemente deu sustentação “científica” à sanha anti-estado social, João Miguel Tavares desvia as atenções, tentando ofuscar-nos com os alegados méritos prévios da dupla de economistas. Como se o assunto em debate fosse o direito ou não de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff conservarem os doutoramentos em Economia que certamente têm...
A segunda falácia é a ignorância da natureza não linear do discurso humano. Quero com isto dizer que a “lógica” de João Miguel Tavares (de que o erro de Reinhart & Rogoff num artigo de 26 páginas é nada comparativamente à excelência da sua opera magna de 512 páginas) só seria válida se o discurso humano — de uma simples frase às obras completas de Platão ou Pál Erdős — pudesse ser aproximado a um sistema linear, o que não acontece.
[Abro aqui um parênteses para quem não sabe o que é um sistema linear. De uma forma simplificada, um sistema é linear se a magnitude de um efeito for (directa ou inversamente) proporcional à magnitude da causa que lhe deu origem: pequena causa, pequeno efeito; grande causa, grande efeito. Por exemplo, o controlo de velocidade de um automóvel é um sistema linear: carregando a fundo no acelerador aumenta-se mais a velocidade do veículo do que se carregando menos; idem, mas com efeito inverso, para o pedal do travão.
Já a verdade de uma expressão lógico-matemática não segue um padrão linear. Consideremos, por exemplo, a seguinte proposição verdadeira: «1111111111 > 0». Alterar 10 dos 14 caracteres (71% do texto) da proposição, transformando-a em «9999999999 > 0», ou suprimir-lhe 9 caracteres (64%), ficando «1 > 0», não tem qualquer efeito em termos de verdade: as novas inequações são também verdadeiras; já alterar um único e muito específico carácter (7,1% do texto), «1111111111 < 0», arruína completamente a verdade da proposição resultante.
Também o discurso humano, nomeadamente a verdade que ele poderá encerrar, não se comporta como um sistema linear. A diferença entre dizer «Em mil novecentos e trinta e nove, a Alemanha Nazi de Adolf Hitler invadiu a Polónia» e dizer «Em mil novecentos e trinta e nove, a Alemanha Nazi de Adolf Hitler não invadiu a Polónia» não é um erro de uns meros 4,8% ou 6,25% (conforme se considerem caracteres ou palavras, respectivamente) — aquele «não» a mais faz toda a diferença entre a verdade e a mentira. Pura e simples.]
Assim sendo, e voltando à lógica furada de João Miguel Tavares, o erro de Reinhart & Rogoff não é apenas um erro de 26/(26+512) = 4,8% no contexto da sua obra (admitindo, por simplicidade, que a dupla apenas escreveu o artigo e o livro referidos).
O erro implica a diferença entre as medidas de austeridade que vêm sendo adoptadas basearem-se num resquício que seja de cientificidade (nunca tendo as conclusões do estudo, ao contrário do que nos quiseram convencer, tido a unanimidade entre os economistas, mesmo antes da descoberta dos erros de palmatória), ou serem simplesmente a implementação acientífica e até anticientífica de um programa ideológico.
* Não tendo lido o artigo de João Miguel Tavares (não comprei o jornal e a versão online é reservada a assinantes), a minha contabilidade de falácias restringe-se às existentes na sua invocação do calhamaço de 512 páginas como “argumento” de defesa de Reinhart & Rogoff.
2. Prestidigitadores
O post anterior não rouba toda a razão a João Miguel Tavares na sua defesa da austeridade. Não é essa a questão. Contesta é o seu precipitado argumento de autoridade.
No que toca à austeridade, não adianta muito estar contra ou a favor: ela impõe-se se o dinheiro escasseia. E ninguém em rigor pode negar pertinência a Tavares quando afirma que «sim, foi a imprudência em tempos de vacas gordas […] que nos trouxe até aqui». De resto, outra sua afirmação no mesmo artigo é também verdadeira, embora no seu facciosismo ele restrinja um defeito nacional apenas à esquerda: «Boa parte da nossa esquerda ainda acredita que o verdadeiro líder político é aquele que consegue dobrar a matemática e a economia com a força da sua vontade.» Infelizmente, esta é uma característica geral lusitana, entre outras coisas responsável por termos Passos Coelho como primeiro-ministro — e Vítor Gaspar como ministro das finanças. A promessa do prestidigitador é o salvo-conduto para ganhar eleições (vide Junho de 2011), mas é igualmente o que tem sido vendido para sair da crise. A matemática e a economia não se têm mostrado mais dúcteis perante os passes de Gaspar do que perante os truques da esquerda antes dele. Isto e o erro de Reinhart & Rogoff deveriam ser suficientes para um pouco mais de humildade da direita ultramontana. Antes de nos prescreverem os calhamaços e as sangrias desatadas deviam talvez ir rever contas e conclusões. É que aqueles de nós que não são da esquerda esbanjadora nem da direita impiedosa gostariam de cair no abismo sabendo que tal não aconteceu apenas porque alguém no poder ou nos jornais achou aceitável o sacrifício e desnecessário rever dogmas.
1. O argumento do tijolo
João Miguel Tavares é um conhecido e enérgico defensor da austeridade. No seu artigo desta terça-feira no Público pretendeu arrefecer os ânimos dos que se alegraram por ter sido descoberto um erro no célebre ficheiro Excel de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, frequentemente citado pelos promotores da austeridade. E que argumentação usou Tavares? Uma de peso. Ou de volume. De número de páginas. É que, diz o jornalista, ao contrário do que pensa a massa ignara, aquela dupla de economistas não se tornou famosa pelas «26 páginas de Growth in a Time of Debt», o artigo que continha o erro, mas sim pelas 512 páginas de This Time Is Different — Eight Centuries of Financial Folly, «um tijolo que se distingue precisamente pela avassaladora quantidade de dados que os autores foram capazes de coligir».
Ora, isto parece mais bullying do que argumentação. Como se alguém dissesse: «Não levam a sério as minhas palavras? Experimentem o meu peso», sentando de seguida os seus 120 quilos de hambúrgueres sobre o adversário para o calar.
A lógica de João Miguel Tavares pretende que o leitor, conhecido o erro de um artigo, ceda com alegria ao argumento da quantidade de informação em vez de, preventivamente, precavidamente, alertado pelo exemplo, se perguntar como e que informação foi coligida, e que influência isso teve nas conclusões alcançadas pelo cartapácio. Como se um erro em 26 páginas, e a interpretação fragilizada dele resultante, fosse mais improvável em meio milhar delas.
João Miguel Tavares quer enfim que nos verguemos perante a autoridade do calhamaço. É muito comum nos dogmáticos. Tome-se a Bíblia, por exemplo.
terça-feira, 23 de abril de 2013
«Sono un peccatore, lo so»
(1) Tomasi di Lampedusa (1987), O Leopardo, Lisboa, Círculo de Leitores, p. 25.
![MONEGASCO. s. m. Aversão a jogos de casino. [Wackypedia: contributos para um léxico alternativo]](http://2.bp.blogspot.com/-ytgn-T4crm8/UXz8qAKWkqI/AAAAAAAAB28/y0y3T3wiTUE/s1600/Sa%C3%BAde_Monegasco_500.gif)

![VENERÁVEL. adj. m. e f. Que não é imune a doenças sexualmente transmissíveis. [Wackypedia: contributos para um léxico alternativo]](http://3.bp.blogspot.com/-yQWozZ4XLNQ/UXY8Ssq-thI/AAAAAAAAB18/kMcSILx9BUU/s1600/Sa%C3%BAde_Vener%C3%A1vel_500.gif)
