segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Nada garante que não seja veneno
domingo, 15 de setembro de 2013
A máquina das experiências
sábado, 14 de setembro de 2013
Introspecção
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Os Idiotas — sessões de lançamento a sul
Hoje à noite (21h) é lançado em Castro Verde o livro Os Idiotas, do amigo e co-blogger Rui Ângelo Araújo, a leitura ideal para a época de patos bravos eleições autárquicas que vivemos.
Amanhã (18h30), é a vez de Faro.
Apareçam!
Fim de tarde
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Lucidez
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
A maçada das utopias
terça-feira, 10 de setembro de 2013
O monólito
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Repetição e contradição
domingo, 8 de setembro de 2013
A literatura ou a vida
Há muitos anos, no secundário, acordei de um sono profundo a meio de uma aula quando me encontrei com a Ode Triunfal. Tinha passado de batucar indolentemente com os dedos na mesa a folhear com eles o livro do colega de carteira, como se passando as páginas conseguisse fazer passar os minutos, os longos minutos que demorava a passar a aula de Português.
Depois do longínquo ronronar das coisas abstractas, cuja anatomia indistinta era dissecada na mesa de um jargão técnico estéril e cuja relação com a vida neste planeta eu não lobrigava, o livro estava a oferecer-me um texto que ligava as palavras a sensações, que descrevia com assinalável verosimilhança o mundo e o relacionava com emoções que eu era capaz de identificar.
Havia uma discrepância entre o que eu estava a ler e o que tinham sido as aulas de Português até àquele momento, fastidiosos lapsos de tempo onde, sem que eu tivesse como o perceber (e de qualquer modo os professores, eles mesmos, não o percebiam), o ensino da literatura se fazia distinto, quase antagónico, da literatura. Imaginei que aquela ode de Álvaro de Campos seria um dos textos que não iríamos abordar na aula, porque tudo o que abordávamos na aula era chato e colossalmente destituído de humanidade. Senti-me transgressor. A insuflar a alma de uma coisa que não era grosseira, amarelada e, para mal das alergias, carregada de pó como velhos in-fólios. (Anos mais tarde concluiria com naturalidade que o que me condenava ao sono ou ao tédio não eram os textos, mas quem os ensinava e a forma como eles eram ensinados.)
Creio que vem desse momento epifânico a minha aversão a romances que tenham como protagonistas escritores em pleno exercício do ofício, que sejam estudos psicológicos, existencialistas ou pós-modernos de escritores ou de leitores, bibliotecários, editores, a minha aversão a romances que sequer ambientem vagamente os enredos no métier literário, que procurem piscar o olho ao leitor geek, profissional, ou que pura e simplesmente desconheçam a vida para lá da literatura. Há bastantes destes livros, os escritores tendem a ser umbiguistas e a literatura de alguns deles, com a conivência ou o deslumbramento de editores igualmente autocentrados, francamente tautológica.
Receio sempre que os autores de obras assim sejam como os meus professores do secundário, gente que tuteia a literatura mas a esvazia de vida. Salvo excepções, quando quero ler sobre vidas de escritores ou sobre o escritor no seu labirinto, procuro biografias, entrevistas, ensaios próprios ou de terceiros. Dos romances, da literatura, espero que tratem da vida, até mesmo da vidinha. Do roncar das máquinas aos «escrocs exageradamente bem vestidos».
* Este post cita de cor e dando-se muita liberdade um texto que escrevi há talvez década e meia e foi espoletado, o post, pela admirável versão da Ode Triunfal que a Maria Filomena publicou no seu Ferramentas e Espelhos.
Distinção
sábado, 7 de setembro de 2013
Falhas
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Momentos líricos
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
A imaginação em exercício
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Técnicas
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Setas
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Carne para canhão
Acusam-no, apesar do barítono, de não ter perfil de estadista — como afinal não tinha de cabeça-de-cartaz laferiano. Mas o nosso PM, para além de estentóreas qualidades tribunícias, tem uma digna postura generalícia, de general bonapartista. Tem o mesmo brilhantismo táctico (embora em segunda mão) e o mesmo sentido estético dos generais que berravam até a voz lhes doer para ninguém abandonar as linhas, para que todos marchassem ordeiramente. No campo de batalha como na parada. É verdade que o pensamento militar, que ainda havia de conceber as trincheiras, acabou por concluir pela estupidez da táctica, que apenas sobreviveu enquanto do outro lado vigorava estupidez semelhante. Mas tudo aquilo, todas aquelas encenadas e hollywoodescas manobras militares, que punham milhares de pessoas a mover-se num descampado como peças de dominó tombando num vasto e colorido jogo de efeitos, toda aquela carnificina apreciada à distância com o mesmo monóculo que se usava na ópera de Paris, todo aquele bailado demente muito apreciado pelos sádicos habitantes do Olimpo, foi necessário para que alguém escrevesse um calhamaço como o Guerra e Paz e, sobretudo, foi necessário para que hoje pudéssemos usar uma expressão tão exacta e esclarecedora como “carne para canhão”.
Se não existisse história militar, e perdoem-me a tautologia, não saberíamos hoje descrever o que pretende Passos Coelho e a aprumada, british style, tropa cerebralmente fandanga que temos como Governo. O que se nos pede, como há exactamente duzentos anos, é que, para que nada mude, para que se possa fingir que nada tem de mudar no sistema económico europeu, no próprio capitalismo, para que os rendimentos superiores possam continuar a ser abismalmente superiores, o que se nos pede e Passos Coelho repete com mais ingenuidade do que cinismo, embora este lhe sobre, é que tem de haver milhões de sacrificados.
Carne para canhão é, continua a ser, a grande táctica dos que, montados na garupa dos seus alazões, se relacionam com a mole humana ao milheiro, têm o milheiro como unidade de cálculo para os trocos como para os homens. Passos Coelho, como outros oficiais do ramo que o precederam, apenas cumpre ordens.

![BUCÓLICO/A. adj. Viciado/a em sexo oral. [Wackypedia: contributos para um léxico alternativo]](http://3.bp.blogspot.com/-O1C-Bxe8oa8/UjBofL3iN9I/AAAAAAAACSY/oc_wAhyjiIk/s1600/Sexo_Buc%C3%B3lico_500.gif)
![EXTERNO. adj. m. Que se tornou bruto. [Wackypedia: contributos para um léxico alternativo]](http://2.bp.blogspot.com/-c8TzKo2Hrp4/UisHdQn-sOI/AAAAAAAACRg/pa1g5MTnf80/s1600/zzz_Externo_500.gif)

