sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Crítica da razão obscura

Árida em estilo, fecunda em ideias, a Crítica da Razão Pura suscitou, recentemente, um episódio insólito: na Rússia, dois indivíduos envolveram-se numa troca de murros, tendo inclusive um baleado o outro — felizmente sem trágico desfecho —, enquanto argumentavam sobre a famigerada obra. Kant escreveu aí: «Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas.» Talvez o incidente resultasse de uma situação filosófica anómala: aquela em que a cegueira sobe ao pensamento e o vazio desce à intuição.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

«Porque é ainda ministro?»

O Blasfémias (de onde saiu, não esqueçamos, Carlos Abreu Amorim, essa figura) mais cedo ou mais tarde (geralmente bem mais tarde) lá se junta ao português de inteligência média no que toca a considerar insustentável a presença de certos ministros neste Governo. Foi assim com Relvas, é assim com Machete. Um destes dias até Helena Matos o virá balbuciar.

Desregrado cepticismo

Os especialistas diferenciam «saber-que» de «saber-fazer» e de «conhecimento por contacto». Embora pedagógica, a distinção é artificial. Efectivamente, todo o conhecimento pressupõe algum «contacto» do sujeito com o objecto. Mas também esta última distinção se revela postiça: não há sujeito puro nem objecto claro, antes uma continuidade inefável, sem rupturas intrínsecas nem «contactos» eventuais. O que acaba de se expor traduz um conhecimento? Sim: um conhecimento ilusório de um objecto irreal — por parte de um sujeito inexistente.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Entusiamo

O corrector ortográfico do meu Word não está acertado pelo Acordo Ortográfico — está acertado pelo Mia Couto. Quero escrever «entusiasmo» e sai-me «entusiamo», com uma estratégica elisão do segundo «s». Aos outros desacertos o corrector reage sublinhando-os a vermelho. Este deixa-o laconicamente sem marca, esperando que eu dê pelo caso e sobre ele pondere etimologicamente.
«Entusiamo» será assim a fusão de dois termos: «entusiasmo» e «amo». «Amo com entusiasmo», quer certamente o corrector que eu conclua, com romântico exacerbamento.

Ou talvez devamos atribuir raciocínios mais libidinosos ao meu corrector ortográfico e considerar aquele amor meramente carnal, o entusiasmo do domínio da intumescência, acentuado na segunda sílaba.

Tontarias

Como posso aspirar a tornar-me um escritor respeitável se ultimamente etiqueto a maioria dos meus posts como «tontarias»?

Moldando o entusiasmo

Senti um entusiasmo inadequado e embaraçoso ao ler que Pedro Mexia escolheria Javier Marías como um dos seus dois favoritos para o Nobel deste ano. O entusiasmo foi inadequado porque o senti de um modo pessoal, como se fosse eu o nomeado. E foi embaraçoso porque pueril, ou melhor, servilmente penhorado. Não que sonhe ombrear com Mexia em cultura e sabedoria literárias, mas escusava de ter acessos de entusiasmo tão obnóxios, tão avassalados por uma lisonja dirigida a um objecto de estima mútua.

Compreendo porém o meu próprio entusiasmo. Não tendo lido muitos títulos de Marías, entre as leituras que fiz estão os três volumes de O Teu Rosto Amanhã, uma obra que só por si vale um Nobel. E a minha satisfação com essa magna leitura tem equivalência em grau à perplexidade de ver os anos passar sem que a tradução portuguesa seja retomada (a Dom Quixote editou o primeiro volume em 2005 e ficou-se por ali).
A relativa ignorância a que obra de Marías é votada em Portugal concede-lhe aos meus olhos (ou aos olhos do meu entusiasmo) uma certa aura de autor de culto. A simpatia pela obra e a sensação de injustiça traduzem-se numa identificação com as suas tribulações e os seus sucessos. Admiração semelhante de outros é sentimento de união, irmana.

Por isso, se o meu entusiasmo não fosse tão voluntarista, perante a referência de Mexia a Marías ter-se-ia manifestado mais dignamente na forma de mero regozijo pelo reconhecimento de um igual. Se as minhas emoções se dessem ao trabalho de se intelectualizarem um pouco, a nomeação de Javier Marías por Mexia seria recebida, adequadamente, com um entusiasmo de classe, de membro de um clube restrito, exclusivo, reagindo ao nome do escritor como ao santo-e-senha do clube. Talvez permitindo-se (o entusiasmo) um sorriso irónico e levar dois dedos ritualizados ao Borsalino.

Mas temo que se derem o Nobel a Javier Marías, Pedro, o meu entusiasmo celebre plebeiamente dedicando aos editores portugueses um daqueles gestos revanchistas de jogador de futebol.

O lugar da sorte

Entra no café. Vende cautelas. Entoa um pregão rápido, minimalista. Transporta uma bolsa a tiracolo e enverga um colete de duas cores: azul-escuro em baixo, amarelo evidente em cima. Nas costas, destacada do fundo amarelo, pode ler-se a expressão «casa da sorte». No entanto, a palavra «sorte» não se revela de forma ostensiva: adivinhamo-la ou deduzimo-la. A tira da bolsa passa ali, ocultando-lhe ora umas, ora outras letras. A contingência do mundo revê-se na ironia dos detalhes.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Informações iniciais

Aporta um professor a nova escola. Informam-no de que vai receber uma turma complicada, mas que se trata de um desafio. Preferindo que o deixem em paz, desconhecedor ainda das práticas pedagógicas que fazem ver em cada aluno um diamante a facetar, o docente responde que dispensa semelhantes desafios. Não lhe fica bem. Confrontado com a realidade, descobre que «turma complicada» exprimia um eufemismo e que o tal «desafio» dizia respeito à sua capacidade de sobrevivência psíquica.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

José Rodrigues dos Santos ou Educação para a modéstia

Educado para a modéstia (a soberba descobri-a por mim mesmo mais tarde, junto com a ironia), fascina-me a forma despudorada como José Rodrigues dos Santos fala dos seus próprios livros. No meu quadro educacional, e se descontarmos as conversas de balneário, a hipérbole reservava-se para os feitos dos outros, se tínhamos a generosidade de os admirar; os nossos tratávamo-los com reserva, rubor e olhos baixos. Por isso, quando leio entrevistas do autor de A Mão do Diabo — presumindo sempre que são registadas fora dos locais onde tradicionalmente os rapazes cotejam as suas galgas —, uma parte antiquada de mim pensa que ele está a falar de livros escritos por outros. Depois lembro-me de certas teorias da conspiração, que metem cálculos de tempo e ghost writers, e por instantes dou-lhes crédito: se calhar está. E assim se compreenderia a enfatuação.

Mas se considerarmos que o entusiasmo de Rodrigues do Santos não resulta de ele se distrair e involuntariamente revelar o seu apreço pelo trabalho dos colaboradores (o que até seria bonito); se considerarmos que ele escreve os seus próprios livros, todos eles, temos então de perceber se a sua arrogância tem a legitimidade da de um Mourinho, por exemplo.
No caso do futebol, estamos dispostos a engolir a bazófia de Mourinho se depois ele ganhar os jogos e conquistar os títulos. Podemos achá-lo um parvalhão emproado, mas é um parvalhão emproado que no fim leva a taça e milhões de euros.
Deste ponto de vista, e embora custe equiparar a literatura a um campeonato de gajos depilados em calças curtas, Rodrigues do Santos está também autorizado a ser um parvalhão emproado — afinal, a sua equipa ganha fortunas e tem já uma série de internacionalizações. E se não conquista as taças literárias é porque elas, anacronicamente, ainda são atribuídas por críticos e júris, não pelo terceiro anel da Luz. (Eis algo que urge alterar.)
Claro que se pode dizer que José não tem um jogo bonito, o seu futebol é tosco, ganha muitos jogos recorrendo à mão de Deus, para baixo todos os santos ajudam, etc., mas no fim do mês lá está ele nos tops e as suas filas para autógrafos, di-lo ele mesmo, dobram esquinas.

Os historiadores do futebol podem argumentar que houve noutras épocas treinadores melhores do que Mourinho e talvez a contabilidade de títulos ainda nem lhe seja inequivocamente favorável, não sei, mas isso importa pouco aos adeptos actuais se ele continuar a vencer. O mesmo se passa com os rodriguinhos de dos Santos: críticos e historiadores (como Rui Bebiano, neste post) podem defender, com razões de sobra, que a entrevista do escritor ao I no sábado foi um «vendaval de futilidade, desconhecimento e espírito mercantil», mas a sua massa associativa (e mesmo hooligans de outros ramos) continuará a dedicar-lhe olas e cânticos épicos.

Para além disso, na mesma entrevista de sábado e antes que a História se pusesse com coisas, Rodrigues dos Santos tratou de a arrumar num só parágrafo. Falando de Equador como espécie de profeta que anunciou os seus livros messiânicos, o jornalista disse: «Demonstrou várias coisas. Que os portugueses tinham disposição para ler um autor português, o que até aí era como o cinema português, de que se fugia. (…) Porque não entendiam, o que era escrito, é a terrível verdade. Os nossos autores eram ilegíveis.»
Diria que nem Mourinho seria farofeiro o suficiente para defender que antes dele não havia futebol, mas talvez Rodrigues dos Santos tenha evocado na sua mente o panteão das letras portuguesas e concluído melancolicamente que não tinha de facto razões para humildade.

Espantou-me, por isso, que noutra passagem da entrevista ele concedesse, acerca de diferentes atitudes literárias, que «umas são tão válidas como as outras». Havia, afinal, uma reserva de modéstia no bravo best-seller. Ou então ocorreu-lhe que também ele poderia um dia querer levar «duas páginas a descrever um armário», como o sádico James Joyce em Ulysses, e mais valia sancionar preventivamente o recurso. Just for the record.

Ou será que temia incomodar uma importante facção dos seus leitores censurando o «exercício de masoquismo» que disse ser ler o calhamaço de Joyce?

Além disso, depois de Dan Brown, o seu catavento literário pode muito bem estar a sintonizar-se nas cinquenta sombras sadomasoquistas de E. L. James. Rodrigues dos Santos tendo prazer a infligir sofrimento literário? Não é impossível.

A encomenda

«Caso não seja entregue, agradecemos a devolução, indicando a razão com um X.» Imagino o que aconteceria se o destinatário da encomenda fosse a Divindade e os filósofos se tornassem os responsáveis por desenhar a «cruz da não entrega». Aristóteles colocá-la-ia em «Ausente»; Epicuro, em «Recusado»; Kant, em «Desconhecido»; Hume, em «Encerrado»; Feuerbach, em «Mudou-se»; Nietzsche, em «Falecido»; Wittgenstein, em «Endereço insuficiente»; Sartre, em «Não reclamado». Já os panteístas, como Espinosa, ficariam legitimamente de posse da encomenda.

domingo, 6 de outubro de 2013

Incómodos

Tornou-se axioma: «Pensar incomoda como andar à chuva.» Tal regra de Caeiro admite, ainda assim, inúmeras excepções: os conceitos variam em peso e agressividade; as pingas, em volume e frequência. Mas é possível neutralizar ambos os incómodos elegendo intervalos: os que distanciam as gotas e os que separam conteúdos mentais. Dos dois exercícios, todavia, só o segundo parece exequível. Trata-se aliás de excelente opção para quem anda à chuva — e quer evitar o incómodo de pensar nisso.

sábado, 5 de outubro de 2013

Machetada

Provavelmente — e decerto com particular incidência nas últimas legislaturas —, sempre houve gente nos governos com alguma incapacidade para defender os seus currículos. Quer porque eles (os currículos) eram má ficção, quer porque eram facilmente confundidos com cadastros. Mas no governo de Passos Coelho isso parece uma especialidade, uma cláusula. Um tipo põe-se a pensar que, se os lugares de ministro e secretário de estado (ou assessor) fossem a concurso, Coelho mandaria lavrar anúncio no Diário da República com a alínea: «Dá-se preferência a quem tenha rabos-de-palha; da sua elisão trata-se a seguir, com corrector Bic ou Pelikan, depende de quem patrocinar.»

Os currículos de Gaspar e Santos Pereira, bons rapazes e sem mácula no carácter, pertenciam ao lote da ficção, poderiam ter sido escritos por José Rodrigues dos Santos num dia inspirado. O de Relvas também, mas acumulava vilanias. Agora, a ministra das Finanças e o dos Negócios Estrangeiros são o topo hierárquico de uma lista de governantes cujos currículos os habilitam com distinção ao governo passista mas logo depois têm de passar pela lavandaria para serem apresentáveis ao resto do país.

Desde Junho de 2011 há um campeonato para ver quem mente-mais-e-pior e, em simultâneo, tem o raio-de-uma-lata. Os melhores nestas duas disciplinas mantêm-se no governo ad nauseam, até aparecerem cartazes no tour de França e na Estação Espacial Internacional. Só saem quando a sua reputação não se distingue da lama onde nadam.

Maria Luís Albuquerque e Rui Machete estão bem colocados, são esperanças particulares de Passos (o próprio, como se sabe, um peso-pesado da peta, patranha, baldroca, da pantomima e do entremez). E todos somos testemunhas de como eles se têm esforçado, com enorme lata, no campeonato de mentir muito e mal. Maria Luís tem a desvantagem de ser até há pouco tempo uma desconhecida. O seu currículo, de menor extensão, é mais facilmente arruinável. Já Rui Machete, com aquela longa e velha fama de senador e general na reserva do partido, tem tudo para ganhar a taça. Depois das estratégicas elipses curriculares e das extravagâncias da sua memória, este episódio com a Rádio Nacional de Angola mostra como ele está disposto a tudo.


«Machete: s. m. sabre de artilheiro com dois gumes, faca de mato; viola pequena, cavaquinho

Nada de novo

Aparentemente, Descartes caiu num círculo: por um lado, tinha a ideia clara e distinta de Deus, com que provou a sua existência; por outro, necessitava que Deus existisse para garantir a verdade da ideia clara e distinta que tinha dele. O problema reside no facto de, neste caso, os pensamentos deslizarem sobre palavras como dedos sobre o ecrã de um tablet: afastam-se e aproximam-se, ampliam e reduzem, arrastam e esperam, mas nada de novo acrescentam ao texto.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Rui Ângelo Araújo e Os Idiotas na revista LER de Outubro

recorte de imprensa

O IDIOTA C'EST MOI

Lúcio: Sabes que és um pseudónimo, certo?
Rui:
L: Que me usurpaste a autoria do livrito?
R: Pensei que estavas sequestrado numa cave alentejana. Li isso no teu Facebook. Alimentado a açorda e sopa de tomate…
L: É feio aproveitar o trabalho dos outros para armar em escritor.
R: Lá estás tu com essa fantasia. Ouve, eu criei-te, és uma personagem d’Os Idiotas. Dei-te foi demasiada liberdade. Parecias um tipo divertido (ainda que tontíssimo), não imaginei que fosses tão longe…
L: Estás com cara de padre, nesse sofá maricas.
R: Isso, desperdiça caracteres.
L: Querias que falasse do livro?
R: Não nos convidaram para assomos edipianos de personagens mal resolvidas...
L: Podia ser um bom livro, podia. Se não tivesses metido o bedelho. Supõe-se que os pseudónimos se fiquem pela capa, não que se intrometam no texto. Pseudónimo não é heterónimo. Todos perceberão que o livro devia simplesmente deixar ouvir a minha voz.
R: Ainda se nota com abundância que és um desbocado, um espírito doente.
L: Obrigado, muito gentil.
R: Um tipo decadente num país em declínio.
L: Wishfull thinking…
R: Triste protagonista de comédia humana que nem sequer assume a oportunidade que os amigos lhe dão de ter uma contribuição cívica.
L: Quem mais poderia pensar em cidadania senão imbecis daqueles?
R: A passear os traumas e a bebedeira da Roménia ao Vietname…
L: Lisonja.
R: A arrastar a asa para a Helen. És mesmo…
L: O idiota és tu!


Os Idiotas (O Lado Esquerdo Editora) é o título do novo romance de Rui Ângelo Araújo, autor do blogue «Os Canhões de Navarone» e antigo director da revista Periférica.

Nascidos entre velharias

Entro numa loja de velharias e noto que há cinco gatos recém-nascidos, de pêlo escuro, a vaguear por ali. Não tardam a aproximar-se. Talvez me conheçam de vidas anteriores, passadas algures na Pérsia ou no Egipto. Um deles tenta acomodar-se sobre um dos meus sapatos, como se o mundo não lhe inspirasse qualquer mistério ou inquietação. Estes animais viram a luz entre múltiplos objectos que insistem em lembrar o fim. Não admira, portanto, que ignorem certos princípios.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Tem cumprido o seu?

Dever cívico/cínico

A outra lógica

Ele supunha ser a vida a conclusão de um argumento cujas premissas se desconhecem. Ela julgava-a um conjunto de premissas que não levam a qualquer conclusão. Através de inflamada lógica, juntou-os o destino. Mas cada um só via no outro o que ele próprio achava da vida. Volvido quase um ano, disse o homem: «É preferível concluirmos.» Ela retorquiu: «Claro. Também não me faltam premissas.» Fora aquele o único argumento válido após uma série intensa de falácias.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Entrevista na revista online IP4

Rui Ângelo Araújo, meu “parceiro de coligação”, em entrevista à revista online IP4:

“Os Idiotas” de Rui Ângelo Araújo são, afinal, afectuosos

É o costume

Segundo David Hume, é ilegítimo supor entre a chamada «causa» e o designado «efeito» qualquer «conexão necessária». Há apenas fenómenos que sucedem outros. O costume de os ver associados leva-nos a inferir que, interiormente, eles se «conectam». Pura falácia. Talvez seja o mesmo hábito que nos impele a dividir o tempo em passado — a causa que foi embora —, futuro — o efeito que nunca está — e presente — a ligação obstinada dessas duas ausências. Enfim, os aborrecimentos do costume.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Lições da Índia

Recebo por e-mail um anónimo texto circulante. Lê-se aí que, na Índia, ensinam «quatro leis da espiritualidade»: «A pessoa que vem é a pessoa certa.» «Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido.» «Toda a vez que iniciares algo é o momento certo.» «Quando algo termina, termina.» E há um voto: «Sejamos fortes nesta caminhada rumo ao progresso espiritual.» Pergunto: ante pessoas oportuníssimas, rigorosas inevitabilidades, começos perfeitos e desenlaces categóricos, como é que o espírito afinal progride?